6 de fevereiro de 2013

O Equinócio traz o primeiro amor - Autora Mel Kiryu


Personagens principais:
Jun
Naru

    Na ocasião do Equinócio de Primavera a famíla e Naru viajou para Atami para aproveitarem o feriado e visitarem túmulos de entes queridos, costume comum na ocasião.
   Naru era uma menina de onze anos, tinha um olhar vívido e arteiro e um longo cabelo avermelhado, que parecia arder em contraste aos seus olhos azuis como o mar ao cair da noite.
   Ela não gostava de visitar túmulos, por isso se afastou enquanto seus pais acendiam incensos em honra aos ancestrais.
   Encontrou um lugar gramado, coberto pela sombra de um antigo mausoléu. Foi quando viu algo a certa distância que chamou sua atenção, havia inúmeras borboletas voando no mesmo lugar e Naru queria correr atras de borboletas.
   Se aproximou sorrateira como se fosse assustá-las, mas ela que se surpreendeu.
  Havia alguém debaixo de todas aquelas borboletas?
  Estaria morto?
  Mas... Mortos não ficavam em suas tumbas?


   Caiu sentada na grama surpreendida quando a pessoa abriu seus olhos, vislumbrou calmamente e sentou-se na grama, as borboletas esvoaçaram em volta de Naru e... Quem era? Outra menina!
__Quem você pensa que é para me assustar assim?__ Naru esbravejou, ainda sentada na grama.
__Oi! Não queria te assustar, ne?... Eu sou Jun! Por que você espantou as borboletas?
    A outra criança também vestia um kimono como Naru, tinha o cabelo cinzento amarrado num rabo de cavalo bagunçado, olhos lilases brandos.
__Que fazia aí na grama?
__Eu estava brincando, ora... Você quer brincar comigo? Meus pais vieram visitar os túmulos dos meus avós.
    Naru de pronto se animou! Abriu um sorrisão estendo a mão para Jun e as duas crianças sairam correndo de mãos dadas, deixaram o cemitério brincando de esconder entre as cerejeiras em flor.
   Passaram algum tempo juntas à beira de um riacho, arregaçando os kimonos nos joelhos, molhando os pés nas águas cristalinas enquanto observavam as carpas nadando em bando.
   Naru estava encantada com Jun, nunca tinha encontrado uma amiga com que sentisse tamanha afinidade, queria tanto que aquele dia não terminasse! Pouco falaram, mas muito se riram, continuaram de mãos dadas.
    Ficaram vislumbrando as nuvens, de repente Naru olhou para Jun e elas se olharam, não esperava que Jun estalasse um beijinho nos seus lábios, apertando esfuziante enquanto a tarde se findava.
    Naru corou até as orelhas e encarou o riacho, uma carpa saltou sobre a água e seu coração disparou de alegria.
     Mas... Por que uma menina como ela a beijaria na boca? Pensava consigo que não tinha problema se o beijo tinha vindo de Jun.
     Contemplaram juntas o poente, as cores eram intensas, Naru nunca tinha prestado atenção no por-do-sol, era tão lindo... Não tinha dúvidas que se era tão belo era por causa de Jun que tinha seus cabelos platinados tingidos pela cor violácea do poente.
     Quando uma sombra se colocou entre Naru e Jun.
   
   As duas crianças olharam para tras ainda de mãos dadas e Naru encarou surpreendida seus pais.
   No mesmo instante, soube que tinha que partir.
   Soube que tinha que soltar a mão de Jun.
   Naru ficou subitamente triste, era como largar um pedaço de si.
   Jun acariciou seu rosto e combinaram num cochicho de se encontrarem ali no próximo Equinócio.

    Naru partiu com seus pais e tinha o coração estranhamente partido.
    O próximo equinócio seria apenas no outono no mês de setembro.
    Por isso, Naru contou cada dia.
    Não conseguia parar de pensar em Jun, pensava no beijo, no calor da mão que havia segurado a sua durante um dia inteiro.
    Se perguntava num assombro se isso é que seria estar apaixonada.
 
     Antes do Equinócio de outono, Naru completou doze anos.

      Quando chegou a ocasião em que tinham marcado de se encontrar, Naru nem entrou no cemitério com seus pais, correu ansiosa para o riacho onde tinha estado com Jun pela última vez.
   Ficava com receio de não ser reconhecida porque não usava um kimono, estava frio e as cerejeiras não estavam mais em flor, naquele dia não havia nuvens e tudo estava diferente.
   Tinha medo que Jun não estivesse lá.
  Foi quando avistou alguém que parecia ter sua idade, olhava o mesmo riacho a certa distância.
             Resolveu se aproximar em sua inquietude... Quem sabe tinha visto Jun.
    Viu que era um menino trajando roupas quentes, um agasalho com gorro.
__Escuta, menino... Você viu uma menina por aqui?
    O menino sorriu e Naru ficou irritada, por que ele não respondia logo?
__Oi, Naru... Que bom que você veio.
__Quê?... Você me conhece?__ Naru apontou para si fazendo careta.
    O menino manteve a serenidade no sorriso e desceu o capuz, aquele cabelo platinado preso a um rabo de cavalo baixo se revelou algo bagunçado, olhou melhor e viu que também tinha aquele olhar!
__Jun?!__ Naru perguntou num esgasgo.
__Eu devia ter me deitado com as borboletas, né?__ Jun riu segurando a mão de Naru.
    Era aquela mão tão quente, Naru corou, agora compreendia. Como sempre as palavras eram dispensáveis, agora tudo fazia sentido.
   Não porque não estava apaixonada por uma menina, nada importava, desde que estivesse com Jun.                                                                                                                       [FIM]

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